História

A Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP) iniciou as suas atividades em 1953 com as habilitações Engenharia Civil e Mecânica. Atualmente, oferece também as habilitações em Engenharia Elétrica e Produção Mecânica, além do curso de Arquitetura.

As atividades referentes à Geotecnia, no início do curso de Engenharia Civil da EESC-USP, estavam relacionadas às cátedras no. 2 - Mineralogia e Geologia e no. 16 - Mecânica dos Solos, Fundações e Obras de Terra. Estas duas cátedras viriam a constituir o embrião do atual Departamento de Geotecnia.

A cátedra no. 2 - Mineralogia e Geologia iniciou suas atividades, em 1954, sob a responsabilidade do Prof. Alceu Fábio Barbosa, catedrático da EPUSP, e de seu Professor Assistente Ruy Osório de Freitas, ministrando uma disciplina anual, no primeiro ano da grade curricular.

A cátedra no. 16 - Mecânica dos Solos, Fundações e Obras de Terra iniciou suas atividades em 1956, sob a responsabilidade do Prof. Victor F.B. de Mello e do Professor Assistente Alberto Henriques Teixeira, ministrando duas disciplinas, uma anual e outra semestral.

De 1956 a 1963 as duas cátedras tiveram um desenvolvimento independente. Nessa época começou a construção de grandes obras no país, ao mesmo tempo em que ocorreram graves acidentes em várias partes do mundo, associados ao desconhecimento das características geológicas dos sítios de construção. Isto trouxe à baila a necessidade de interação da engenharia com as disciplinas de geologia, buscando-se um entendimento que pudesse redundar maiores benefícios na construção de obras, onde o meio físico desempenhasse papel preponderante, como no caso de barragens e de túneis, por exemplo.

Esta necessidade foi entendida de imediato na EESC-USP e, em 1963, por solicitação do Prof. Alfredo J.S. Bjornberg, já então responsável pela cátedra no. 2, a disciplina anual foi desdobrada em duas disciplinas semestrais: Geologia Geral, ministrada no 5o. semestre, e Geologia Aplicada, no 10o. semestre. Os programas foram adequados ao ensino da Geologia Aplicada à Engenharia, tendo-se notado um sensível aumento do interesse do aluno. Começava a surgir a interação Geologia-Mecânica dos Solos, dentro da EESC. Nesta época também, em 1964, atendendo a uma solicitação do Prof. Victor de Mello, foi introduzida no currículo da Engenharia Civil a disciplina de Mecânica das Rochas, sendo a EESC-USP pioneira no Brasil e no mundo no ensino dessa área do conhecimento na graduação.

O período das cátedras encerrou-se em 1970, com a reforma universitária em todo o país e com a criação dos Departamentos, que deveriam reunir áreas de conhecimentos afins.

No Campus de São Carlos surgiu então o Departamento de Geologia e Mecânica dos Solos, o único no Brasil com essas características, àquela época, constituído por geólogos e engenheiros trabalhando na área geotécnica. Nesse momento, o corpo docente já havia se modificado e era formado pelos geólogos: Alfredo J.S. Bjornberg (contratado em 1955), Nilson Gandolfi (1962), Antenor Braga Paraguassu (1964) e pelos engenheiros Evelyna Bloem Souto (1958), José Henrique Albiero (1960), João Baptista Nogueira (1967), Nelson Silveira de Godoy (1969) e Nélio Gaioto (1969). A criação do Departamento, resultante desta união de engenheiros e geólogos, ocorreu de uma forma harmoniosa e em regime de alta cooperação entre os dois grupos.

Em 1976, a Câmara de Pós-Graduação da Universidade de São Paulo autorizou o início das atividades de pós-graduação junto ao Departamento de Geologia e Mecânica dos Solos, em nível de mestrado. Este programa de pós-graduação foi o primeiro do país com a denominação de Geotecnia. Em 1977, por decisão do Conselho Universitário, o nome do Departamento foi alterado para Departamento de Geotecnia, para melhor refletir a subárea de conhecimento da Engenharia Civil, na qual os seus professores trabalhavam. Finalmente, em 1984, foi autorizado o curso de Doutorado em Geotecnia. Em março de 1994 comemorou-se a 100a. defesa de tese em geotecnia na EESC-USP: 78 dissertações de mestrado e 22 teses de doutoramento.

Desde julho de 1987, o Departamento está instalado em prédio especialmente projetado para abrigá-lo, com uma área total de 1.300 m2, dividida em três pavimentos: o superior onde se encontram as salas dos professores, a sala de estudos dos alunos de pós-graduação, a biblioteca e a secretaria; no intermediário está a maior parte dos laboratórios e no inferior as oficinas de apoio às aulas e pesquisas.

O Departamento de Geotecnia, que sempre deu grande importância ao ensino e às atividades de graduação, mostrou-se também fortemente engajado na pós-graduação e, conseqüentemente, na pesquisa. Seus enfoques preferenciais foram o estudo e a solução de problemas de interesses regional e estadual, tendo em vista os desafios a que esteve submetida a Engenharia Geotécnica brasileira nos anos 70 e até meados dos anos 80, quando foram construídos os grandes aproveitamentos hidrelétricos na Região Sudeste, os metrôs de São Paulo e do Rio de Janeiro, importantes vias de acesso como as Rodovias dos Imigrantes e Bandeirantes, a Ponte Rio-Niterói, o Projeto Sanegran, entre outras obras de destaque nacional. O Departamento de Geotecnia esteve sempre presente nestes eventos de uma forma ou de outra, inclusive porque seus mais destacados professores atuavam como projetistas ou consultores de grandes empresas de São Paulo, envolvidas nestes projetos.

Nos últimos vinte anos ocorreram importantes modificações no corpo docente do Departamento: a aposentadoria de alguns de seus destacados professores, a fixação em Regime de Dedicação Integral ao Ensino e à Pesquisa daqueles professores que atuavam em Regime de Tempo Parcial, e a contratação de novos docentes: Orêncio Monje Vilar (1977), José Carlos Cintra (1978), Antonio Airton Bortolucci (1980), Tarcísio Barreto Celestino (1989), Lázaro Valentin Zuquette (1995), Osni José Pejon (1996) e Nelson Aoki (1996). Com isto deu-se uma ênfase ainda maior ao ensino de pós-graduação e à pesquisa. A interação com a iniciativa privada passou a ser feita, necessariamente, via pós-graduação. Ou seja, a intervenção do Departamento nos grandes problemas ocorre quando a Pós-Graduação e a Pesquisa são beneficiárias desta intervenção.

Paralelamente, a partir de meados da década de 80, houve uma forte recessão no campo da Engenharia Civil, que atingiu os setores de projeto e construção de vias de transporte, de hidrelétricas, de obras subterrâneas, entre outras, o que, de certa forma, impeliu o Departamento a dedicar-se mais efetivamente às questões específicas, definidas claramente em suas linhas de pesquisa. Estas linhas de pesquisa abordam questões amplas e ligadas à origem do Departamento, como barragens, fundações, taludes e obras subterrâneas. No entanto, outras linhas foram paulatinamente ganhando espaço, como a linha de Mapeamento Geotécnico, tanto em nível metodológico quanto de aplicação, e o estudo das questões geoambientais. Estas áreas, nos últimos anos, têm merecido o apoio financeiro das agências de fomento e a atenção de estudantes interessados em desenvolver pesquisas e treinamentos em questões relativas aos seus campos de aplicação. Estas atividades receberam forte apoio das duas fases implantadas do PADCT, o que permitiu, por exemplo, ao grupo de Mapeamento Geotécnico mapear, em escala 1:50.000, toda a área da Quadrícula de Campinas-SP, o que perfaz cerca de 17.000km2. Tópicos como a contaminação e o fluxo de poluentes no solo e as formas de estocagem de rejeitos também têm merecido a atenção do Departamento.

Simultaneamente, o Departamento recebeu grande apoio da FAPESP e criou um campo experimental de Fundações, com uma área de 1.200 m2. Este campo, situado na região sul do Campus, onde o perfil do subsolo é representativo de vasta área do Estado de São Paulo, já propiciou a realização de inúmeros ensaios (compressão, tração e carga horizontal) em estacas isoladas de vários tipos (broca, apiloada, Strauss, raiz etc.) e provas de carga em grupos de estacas, tanto na condição de umidade natural do terreno como na condição de inundação artificial.

À mesma época foi consolidado o Laboratório de Mecânica das Rochas, com a aquisição de uma prensa MTS, servo controlada, para 2700 kN, com recursos do PADCT. Esta prensa, por sua versatilidade, tem permitido realizar uma série de trabalhos não só do Departamento de Geotecnia como de outros setores, inclusive dos departamentos de Transportes, Estruturas e de Materiais. Hoje, esta linha de pesquisa também dispõe, entre outros equipamentos de grande porte, de uma máquina de cisalhamento direto, também servo-controlada, com carga normal máxima de 500kN e cisalhante de 1000kN. Estudos nesta área são dirigidos a problemas de escavação subterrânea e à mineração. Atualmente, a área de Mecânica das Rochas constitui um dos pontos fortes do Departamento, conduzindo importantes pesquisas, muitas delas de interesse prático imediato e também contribuindo no cenário nacional no que tange à formação de recursos humanos.

Outro tópico de interesse que tem merecido a atenção de pesquisadores do grupo é o ligado aos solos não saturados. Nesta área o Departamento soube vislumbrar e antever uma série de problemas que vêm sendo enfrentados pela Engenharia Geotécnica brasileira.

A dinâmica de um núcleo de pesquisa, respondendo de imediato aos anseios da sociedade foi cedo entendida pelo Departamento de Geotecnia. Pesquisas de cunho recente, como o entendimento do comportamento geotécnico de maciços de resíduos sólidos, sejam os aterros sanitários, sejam as barragens de rejeito, uso de materiais geossintéticos em obras geotécnicas e problemas de natureza geoambinetal são exemplos de linhas de pesquisa que ultimamente têm recebido forte atenção do Departamento.

Nas suas atividades acadêmicas ligadas ao ensino de graduação, o Departamento de Geotecnia atende ao curso de Engenharia Civil, um dos mais tradicionais do país, e ao curso de Arquitetura da USP/São Carlos. A preocupação do Departamento pelo ensino de graduação pode ser medida, entre outros aspectos, pelos textos básicos escritos por seus professores. São dezenas de obras didáticas que cobrem conceitos básicos, aplicações práticas e técnicas de laboratório de praticamente todo o campo geotécnico. Tais textos são adotados ou utilizados em grande número de cursos de graduação do país.

É inquestionável também a contribuição do Departamento na formação de recursos humanos. A sua relação de ex-alunos traz figuras de destaque na geotecnia nacional, ocupando postos em centros de pós-graduação, institutos de pesquisas, firmas de consultoria e empreiteiras. Isto ocorre de forma harmônica em todo o Brasil, tendo em vista que para cá se dirigem alunos das várias regiões do país.

O quadro de técnicos é formado por quatro funcionários de nível médio, na área geológica e na área de mecânica dos solos e um, na de mecânica das rochas. Além desses, o Departamento conta também com dois técnicos de nível superior, um atuando na área de geologia e o outro no gerenciamento do setor de informática do Departamento.

Ao longo destes anos o apoio da Universidade de São Paulo e dos órgãos de fomento à pesquisa, notadamente da FAPESP, do CNPq, da CAPES e da FINEP está permitindo ao Departamento manter os seus laboratórios em nível de vanguarda nacional e nos padrões dos bons laboratórios do exterior. Todo este esforço garantiu a qualidade do ensino e da pesquisa desenvolvida no Departamento. Prova disto é, por exemplo, o conceito A, atribuído pela CAPES aos seus cursos de Mestrado e Doutorado em Geotecnia no biênio 94/95 e o conceito 6 no biênio 96/97 (6 foi o conceito máximo atribuído a apenas 24 dos 142 programas de pós-graduação em engenharia do Brasil).

 

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